Sobre mim


Nasci em Ituberá, no interior da Bahia, e cresci na zona rural, cercado de mata e estrada de chão, num cenário que não tinha nada de óbvio pra quem ia virar programador. Mas foi o que me pegou, lá pelos 15, 16 anos, quando descobri que dava pra resolver problema de gente de verdade escrevendo umas linhas de código. Nunca mais larguei.

Naquela época, eu estudava na EsIM, uma escola de instrução militar da 6ª região militar da Bahia, e ainda trabalhava com a Fundação Odebrecht numa OSCIP, e foi aí que nasceu o meu primeiro software de verdade. Não era joguinho nem site. Era um sistema pra padronizar a polinização artificial do cacau. Cacau. Olhando de hoje, aquilo já entregava, acho eu, o programador que eu seria: alguém mais ligado em resolver o problema real de uma pessoa do que em tecnologia pela tecnologia.

Pouco depois, fui parar no México. Lá, estudei engenharia de ciências computacionais na Universidade Veracruzana, em Veracruz, e continuei na Fundação Odebrecht, agora replicando projetos educacionais do Tributo ao Futuro, que no Baixo Sul da Bahia já rodava havia tempos: casas familiares rurais, círculos de leitura, casas jovens, educação no campo de verdade. A ideia era levar esse modelo inteiro pra lá. E o sistema por trás disso, web e back-end, era meu. Aquela foi a fase de rodar o Brasil e o mundo com o notebook na mochila, programando de onde desse.

De volta pra casa, dei uma guinada e fui dar aula. Ensinei programação num colégio por um tempo, e ensinar acabou me ensinando, porque não existe jeito melhor de fixar um assunto do que ter que ensiná-lo a alguém. Depois desci pro Sul, abri a minha própria empresa e, no meio do caminho, ainda arrisquei estudar medicina (pois é, parece um salto e era mesmo). Sinceramente, não sei explicar direito o que me deu. Mas o código falou mais alto. Larguei o jaleco.

Em 2020, mudei pra Curitiba pra trabalhar numa multinacional do ramo de estética, a AFI Integrações, dona na época da AZ Soluções e de outros softwares. Um divisor de águas: empresa grande, produto sério, escala que eu não tinha sentido na pele até então. Em paralelo, nunca parei de estudar: somei à minha formação um curso de sistemas de informação e três pós, em engenharia de software com ênfase em testes, em análise e projeto de software e em desenvolvimento back-end. Estudar é vício.

Da AFI, parti pra Ztrax. Foi lá que a minha cabeça de engenheiro mais apanhou, no melhor sentido possível: eu vivia de IoT e, principalmente, de renderização de mapas em tempo real, em 3D (sim, era tão difícil quanto soa). Entrei como dev de desenho de mapas e algoritmos de precisão. O inimigo de todo dia era a performance: desenhar milhares de pontos de dispositivos IoT na tela sem o mapa engasgar nem por um segundo. Degrau por degrau, cheguei a liderar o time de front-end. E saí de lá com uma lição que carrego comigo: liderar não é largar o código, é começar a programar pessoas também. Ou, sendo mais justo: parar de tratar gente como código. Levei um tempo pra aceitar isso.

Hoje, atuo na Jacto, empresa que faz tecnologia pro campo. Cheguei como desenvolvedor pleno e não demorei pra virar tech lead do time Connect. Tem uma simetria nisso que eu nem sempre percebo: comecei a vida profissional escrevendo software pra ajudar quem mexia com cacau na roça baiana e, agora, depois de dar a volta inteira, faço tecnologia pra quem vive do agro, de volta pra terra de onde vim. No fundo, sigo o mesmo menino de Ituberá que se apaixonou por código. Esse não cansou.